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Criptorquidia (o testículo não está lá) e Testículo móvel(sobe para a virilha e volta a descer

 

No momento do nascimento os testículos já devem estar normalmente colocados. Em alguns casos isso não acontece, podendo os testículos descer para a posição normal até aos seis meses de idade. Noutros casos os testículos não descem e ficam retidos no seu caminho, dizendo-se então que existe uma criptorquidia.

Quase sempre, apesar de não se ver um testículo, isso não significa que ele não exista. Ele pode estar presente, mas fora da sua posição normal.

 

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Testículo não visível do lado esquerdo
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Não se vê nenhum dos testículos
   

a) Criptorquidia

Para se compreenderem o problema e o seu tratamento é indispensável perceber como se formam os testículos.
Durante o desenvolvimento embrionário no sexo masculino, as gónadas (órgãos que vão produzir as células reprodutoras) primitivas formam-se dentro da cavidade abdominal e aí evoluem até se transformarem  nos testículos. Estes vão descer dentro do abdómen em direcção às bolsas escrotais. Ao atingir o fundo do abdómen (a cavidade pélvica) empurram para fora o revestimento interno do abdómen (o peritoneu), com a formação de um saco que tem o testículo no interior. Normalmente este saco fecha e separa-se completamente da cavidade abdominal.

Nas imagens seguintes (aumentar a fotografia) podem observar-se o desenvolvimento dos testículos e a sua viagem até às bolsas escrotais, assim como as situações em que ficam retidos a meio caminho. Como se pode ver nessas imagens, quando o testículo não desce completamente, o saco que o envolve não pode fechar, mantendo-se em comunicação com a cavidade abdominal. Isto representa uma hérnia inguinal associada à criptorquidia.

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Hérnia inguinal associada à criptorquidia
   

A existência de uma hérnia já seria razão suficiente para justificar uma correcção cirúrgica, mas há outras razões mais importantes para que se avance com uma cirurgia.

Para poderem funcionar adequadamente, os testículos devem estar a uma temperatura uniforme e inferior à temperatura do corpo. É por isso que eles estão fora do abdómen, dependurados nas bolsas escrotais. Têm um mecanismo que lhes permite subir e descer com as variações de temperatura do meio ambiente. Quando os testículos não estão colocados nas bolsas, estão sujeitos a temperaturas mais elevadas do que é devido. Em consequência, produzem-se alterações das células germinais (as células que produzem os espermatozoides) que podem levar à esterilidade. Essas alterações iniciam-se muito precocemente, pelo que há toda a vantagem em fazer a correcção cirúrgica do problema o mais rapidamente possível, a partir dos seis meses de idade (até essa idade os testículos podem vir a descer espontaneamente).

Uma outra razão para fazer a correcção cirúrgica é o facto de os testículos que estão retidos fora das bolsas escrotais terem uma maior incidência de tumores malignos. A colocação dos testículos na posição adequada reduz essa incidência. Além disso, quando os testículos estão normalmente colocados, é muito mais fácil detectar um nódulo tumoral do que quando eles estão como que escondidos. Um tumor maligno tratado precocemente tem maiores probabilidades de cura.

Quando um testículo não é encontrado à palpação (por especialista) deve ser realizada uma ecografia abdominal. Se esta não identificar o testículo, pode ser feita uma ressonância magnética. Se ainda assim não se identificar o testículo, deve ser realizada uma laparoscopia para saber se o testículo existe ou não e, no caso de existir, fazer a correcção cirúrgica ou a ablacção de um testículo de estrutura anormal (prevenção de desenvolvimento tumoral).

Quando o testículo se consegue identificar na região inguinal (na virilha) ou abaixo, a cirurgia correctiva é relativamente simples e habitualmente não requer hospitalização, podendo ser realizada em regime ambulatório.

Se o testículo estiver colocado dentro do abdómen, a cirurgia é mais complicada e exige uma hospitalização de pelo menos 24 a 48 horas.



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Rapaz que tinha testículos intraabdominais bastante altos (com outras malformações graves), antes de operado
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Testículos já colocados nas bolsas, depois de operado
   

Pode acontecer que não exista um ou até os dois testículo: anorquidia (ver: alterações do sexo gonadal). Nesse caso é possível resolver o problema estético com a colocação de uma ou de duas próteses testiculares, que vão dar uma aparência normal. Se existir um testículo normal, este pode ser suficiente para a reprodução. Se não existir nenhum testículo, vai haver uma esterilidade e vai ser indispensável um acompanhamento por um endocrinologista para que se desenvolvam as características morfológicas masculinas e vai ser necessário colocar duas próteses testiculares (para efeito estético e de preservação da imagem corporal masculina).

b) Testículo móvel

Como foi explicado atrás, o testículo tem um mecanismo que lhe permite subir ou descer na bolsa escrotal para estar sempre a uma temperatura uniforme.

Por vezes, esse mecanismo é excessivamente poderoso, puxando o testículo para cima, para a região inguinal. O testículo volta a descer para a posição normal na bolsa escrotal, mas passa a maior parte do tempo escondido na região inguinal e sujeito a uma temperatura superior à devida. Isto pode comprometer as células germinais e a capacidade reprodutiva.

Por isso, quando o problema se mantém para além dos 4 anos de idade é recomendável fazer a fixação desse testículo à bolsa escrotal. É uma cirurgia muito mais simples do que a utilizada para a correcção da criptorquidia e é realizada em regime ambulatório.