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Dôr e inflamação do testículo

É uma situação relativamente frequente. Manifesta-se por uma dôr bastante forte num dos testículos. No entanto essa dôr pode ser referida como uma forte dôr de barriga (na porção inferior do abdómen). Essa dôr pode ser acompanhada por náuseas e vómitos. Numa fase inicial não se nota qualquer inflamação na zona escrotal, que só se torna evidente algumas horas depois.

Estas queixas não podem ser negligenciadas, nem se pode aguardar a evolução , na esperança de melhoria.

Trata-se de uma situação da maior urgência, que deve ser examinada imediatamente num hospital com urgência pediátrica. É uma das maiores urgências de urologia pediátrica - vamos ver porquê.

Na ausência de traumatismo testicular há três patologias distintas que podem causar dôr no testículo: a) epididimite (processo infeccioso e inflamatório), b) torção do apêndice testicular ou do apêndice epididimário e c) torção do testículo (que é a situação mais frequente e mais grave).

 

a) Epididimite

É um processo inflamatório e às vezes infeccioso do epidídimo (órgão semilunar que evolve o testículo e que faz a drenagem dos espermatozoides). É relativamente raro antes da puberdade. Está relacionado com malformações ou lesões da uretra ou com início de actividade sexual. O início dos sintomas é gradual, com agravamento progressivo. É tratado com antibióticos, anti-inflamatórios e repouso.

b) Torção do apêndice testicular:

O apêndice testicular (chamado Hidátide de Morgagni)é um pequeno órgão com a forma e dimensões de uma grainha de uva, situado na porção superior do testículo. É um resto embrionário sem qualquer função.

Este órgão pode torcer, causando uma dôr violenta do testículo. Se for possível identificar este problema, com toda a certeza, o tratamento pode ser conservador, com administração de analgésicos. No entanto, muitas vezes não é possível fazer a distinção da torção testicular e nesse caso deve ser realizada imediatamente uma exploração cirúrgica.

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Aspecto inflamatório da bolsa escrotal esquerda, com dôr violenta do testículo esquerdo. Só com os sintomas e a observação clínica não é possível identificar a causa do problema. No entanto deve-se suspeitar sempre de uma torção do testículo e agir em emergência.
   

c) Torção testicular

É a causa mais frequente e mais grave da dôr súbita e violenta do testículo, pois a viabilidade do testículo está em causa.

Aspecto inflamatório da bolsa escrotal esquerda, com dôr violenta do testículo esquerdo. Só com os sintomas e a observação clínica não é possível identificar a causa do problema. No entanto deve-se suspeitar sempre de uma torção do testículo e agir em emergência.

É indispensável fazer uma ecografia com doppler ou um scan radisotópico dos testículos, para apreciar a circulação sanguínea do testículo.

Na epididimite a circulação está aumentada, devido ao processo inflamatório. Na torção do apêndice testicular a circulação sanguínea do testículo está normal. Na torção do testículo não há circulação de sangue no mesmo. No caso de não haver disponibilidade imediata de um ecógrafo com doppler é de extrema urgência proceder a uma exploração cirúrgica para estabelecer o diagnóstico correcto e fazer o tratamento adequado.


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Aspecto cirúrgico de uma exploração testicular em que se encontrou uma torção do apêndice testicular (a pequena massa cor de vinho no polo do testículo. Nesta situação remove-se apenas o apêndice testicular, com rápida recuperação do doente e sem qualquer consequência.
   

Caso se diagnostique uma torção do testículo com a eco-doppler ou caso esta não seja realizável imediatamente, é urgentíssimo operar o doente. Um testículo que tenha sofrido uma torção fica sem circulação sanguínea. Se esta não for restabelecida num prazo máximo de 4 a 6 horas após o início dos sintomas o testículo sofre uma gangrena e já não é recuperável, sendo indispensável a sua remoção.

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Esquema do que se passa numa torção testicular
   

Se a cirurgia for realizada a tempo, é possível destorcer o testículo e fixá-lo na bolsa escrotal com pontos de sutura, depois da recuperação da circulação. Caso haja atraso na cirurgia, a circulação não recupera e o testículo tem de ser removido. Mais tarde poderá ser substituído por uma prótese (que, obviamente, só tem funções estéticas).

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Aspecto cirúrgico de uma torção testicular, num caso operado num prazo de 4 horas após início dos sintomas, em que foi possível recuperar o testículo.
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Aspecto de um testículo gangrenado numa torção testicular operada sete horas após o início dos sintomas. Foi necessário fazer a ablacção do testículo.
   

Quer se tenha conseguido salvar o testículo, quer não, é fundamental fazer a fixação cirúrgica do outro testículo no mesmo acto operatório. Quando um testículo sofre uma torção isso significa que não estava fixado na bolsa escrotal, como seria normal; e significa que o outro testículo também não está fixado e pode vir a sofrer, do mesmo modo, uma torção, se não se tomarem medidas preventivas - a fixação cirúrgica.

Apesar da cirurgia ser de emergência e independentemente do resultado para o testículo, o pós-operatório é simples e o paciente pode ter alta nas 24 horas seguintes.

Se o testículo torcido tiver de ser removido, a colocação de uma prótese pode ser feita em qualquer idade, pois existem vários tamanhos de prótese. Em termos práticos, para evitar ter de substituir uma prótese que se tornou pequena com o crescimento do paciente, a idade mais adequada para essa cirurgia é a puberdade, entre os 13 e os 15 anos, com colocação de prótese definitiva.